A que antes teve a Belle Époque, agora falta classe. Ninguém escapa das pichações, dos guardadores de carro, dos motoristas insensatos. Cada um faz o que quer, afinal a cidade não tem dono, certo? Nós? Nós deixamos grávidas, doentes, crianças viverem de esmolas e morrerem de fome e frio debaixo de uma árvore qualquer. As construções históricas degradam-se e misturam-se de forma heterogênea com as construções novas e, sinceramente, de péssimo gosto. É impossível deixar suas crianças brincarem na frente da casa, não somente porque as calçadas estão esburacadas e desniveladas, mas também porque Belém tem o vírus da violência. Todo dia, todo santo dia.
E no nosso horizonte, prédios sendo construídos ou caindo aos pedaços. Se der sorte, um Bem-Te-Vi fugindo para longe. Agora vemos candidatos lutarem por ela como se fosse um animal morto que poderão devorar e deixar só a carcaça. De noite, a vista do meu quarto me deixa abismada. Pensei que só veria tal coisa em São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas lá estava, na minha frente. Um festival de luzes, sorrindo de volta para mim. Me lembrando que não é tarde demais. Quero poder chamar Belém de minha. Ter orgulho de tanta cultura. Comer meu açaí sem medo de pegar doenças, minha maniçoba, meu vatapá. Palavras lindas, fortes. Quero continuar minha vida sabendo que a cidade em que nasci não está morrendo. Quero que alguém se importe. Estou quase criando um projeto: Adote Uma Cidade.
-whatshername
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