quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os Fantasmas dos Amores Passados


   Há! Sabia que um dia meus fantasmas voltariam para me assombrar. Aqueles que deveria ter matado para sempre, mas são mortos-vivos dentro de mim. Não só de mim já que não importa o quanto você queira esconder, todos temos fantasmas de amores passados dentro de nós. O meu caso só é um pouco diferente - como sempre. Os Fantasmas Dos Amores Passados são como ex-namorados que você não gosta, mas....gosta, sabe? Tipo, você não dorme pensando neles, passa a aula inteira viajando ou sofre ao vê-los com outras, mas quando eles passam na sua frente você sente aquele frio na barriga e fica toda vermelha. Você não liga, mas liga.
   A(s) vez(es) que eu me apaixonei de verdade foi(ram) por meninos que nem me conheciam. Até porque, para mim, essa era a graça. Qual o sentido em cobiçar algo que já é seu? Enfim, esses amores já não me afetam como antes, thank God for it. Mas não posso deixar de admitir minha surpresa ao ver três deles passeando com suas respectivas namoradas/ficantes todos no mesmo lugar, na mesma hora e cruzando o meu caminho. A situação era tão irônica que chegava a ser engraçada. Encontrar com o primeiro foi engraçado, encontrar com o segundo foi estranho, encontrar com o terceiro foi sarcástico. Parecia que os três tinham combinado de sair um atrás do outro só para ver a minha cara.
   Quer saber, foi bom ter visto os três naquele dia. Nunca havia pensado neles de outra forma, mas desde então percebi que eles deixaram de ser fantasias para serem fantasmas. E, com certeza, é muito melhor. 
   
  

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quando toda garota é infernal

Existem dias que te fazem querer gritar até ficar rouca. 
Esses dias também te deixam com uma vontade louca de socar alguém na cara.
Esses dias te fazem enfiar as unhas nas palmas das mãos até que doam.
Te fazem ficar emburrada. 
Responder grosso para todo mundo.
Bater a porta do quarto com força.
Esses dias malditos te fazem comer todos os chocolates da casa.
E quando os chocolates acabam, você passa para o pão com manteiga, geléia, pipoca, refrigerante.
Tudo para manter a mente ocupada.
Para não se sentir culpada. 
Tudo para não pensar em tudo que está errado. 
Que não foi feito.
Que parou no meio.
Existem dias que você não quer que ninguém te pergunte o que aconteceu.
Dias que você só quer ficar sozinha e passar por ele o mais rápido possível.
Existem dias que o espelho te odeia.
E a cama te ama tanto que não quer te largar.
Mas aí esses dias passam. 
Você se culpa por ter gritado com a melhor amiga, com a mãe, com o cachorro.
Mas elas entendem, porque elas também tem aqueles dias.
E sabe o que acontece depois?
Passando um mês...eles voltam. 
#fail

- whatshername

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Chuva das 2:00

   Ai, esta cidade. Nasci e cresci, mas não pretendo morrer aqui. Me dói o coração ver Belém deixada às baratas e moscas. Abandonada. Cidade de ninguém. Já estava tão acostumada que nem percebia o estágio da doença. É grave. Vai matar. A que antes era a Cidade Das Mangueiras, quase mangueiras não tem mais. As que sobraram, são ridiculamente podadas no meio da folhagem para dar espaço aos fios elétricos. As esquinas são cobertas de sacos de lixo que, um por um, vão enchendo a calçada. E ao passar o cão (até mesmo o homem) faminto, desfazem o lixo por cima dos bueiros. A chuva vem, os bueiros entopem, as ruas ficam alagadas, o trânsito pára. Mas não culpe a chuva, ela sempre esteve aqui. Tem até horário para chegar. Quem está faltando é a educação. O povo é mal-educado? Sim. No sentido mais literal da palavra. E como não, enquanto as escolas públicas parecem mais presídios do que escolas? Sem condições de dar o lanche para os alunos, quanto mais ensiná-los a ler e escrever. 
   A que antes teve a Belle Époque, agora falta classe. Ninguém escapa das pichações, dos guardadores de carro, dos motoristas insensatos. Cada um faz o que quer, afinal a cidade não tem dono, certo? Nós? Nós deixamos grávidas, doentes, crianças viverem de esmolas e morrerem de fome e frio debaixo de uma árvore qualquer. As construções históricas degradam-se e misturam-se de forma heterogênea com as construções novas e, sinceramente, de péssimo gosto. É impossível deixar suas crianças brincarem na frente da casa, não somente porque as calçadas estão esburacadas e desniveladas, mas também porque Belém tem o vírus da violência. Todo dia, todo santo dia. 
   E no nosso horizonte, prédios sendo construídos ou caindo aos pedaços. Se der sorte, um Bem-Te-Vi fugindo para longe. Agora vemos candidatos lutarem por ela como se fosse um animal morto que poderão devorar e deixar só a carcaça. De noite, a vista do meu quarto me deixa abismada. Pensei que só veria tal coisa em São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas lá estava, na minha frente. Um festival de luzes, sorrindo de volta para mim. Me lembrando que não é tarde demais. Quero poder chamar Belém de minha. Ter orgulho de tanta cultura. Comer meu açaí sem medo de pegar doenças, minha maniçoba, meu vatapá. Palavras lindas, fortes. Quero continuar minha vida sabendo que a cidade em que nasci não está morrendo. Quero que alguém se importe. Estou quase criando um projeto: Adote Uma Cidade.

-whatshername

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

I don't know who you are, but I'm with you.

   O eu-lírico devia ser um personagem. Uma interpretação. Perceba que quanto mais interpretamos algo, fingimos e escondemos, acabamos moldando nossa personalidade até que fique igual ao do personagem. Tem dias que pareço estar tão perdida dentro deste personagem que mal consigo achar o caminho de volta para mim mesma. E, fugindo dos meus próprios defeitos, criei novos. Mais fáceis de aceitar. 
   Eu era uma pentelha quando criança. Menina de rua, que jogava bola na lama e subia até o topo das árvores (com cicatrizes por toda a perna para provar). Na pré-adolescência era uma wannabe de revoltada. Pintei o cabelo, achei motivos para odiar o mundo e nunca estive pior psicologicamente. Agora...bem, acho que vou ter que esperar essa fase passar para saber exatamente o que eu sou agora. Nunca foi tão difícil me definir.
   
- Alguns motivos para gostar de mim: Sempre digo "Por favor", "Obrigada" e "Desculpe"; meus amigos e família são prioridades; não ligo para dinheiro (de fato, não sei lidar com dinheiro); tenho um gosto simples; gosto de boa leitura e bons filmes; sei me adaptar as situações; não gosto de machucar as pessoas; faço de tudo para atender minhas responsabilidades (menos estudar); sou respeitosa; tenho imenso amor pelas artes, dança, música, teatro; não lembro a última vez que tive más intenções. 

- Alguns motivos para não gostar de mim: sou preguiçosa; adoro reclamar e não agir; tenho várias manias; sinto ciúmes de algumas coisas/pessoas; gosto de música pop; não gosto de sair no final de semana; sou cheia de namorados platônicos e nenhum real; repito meus erros várias vezes antes de aprender; sou chorona; desafortunado é aquele que não sabe quando eu estou de TPM; julgo as pessoas por seus gostos; ajo por impulso; não sei tocar nenhum instrumento; afogo as mágoas em comida ( e as felicidades e as ansiedades e as frustações...); odeio mudanças; não vejo futuro para mim na escola; chorei mais quando soube que um dos meus amores platônicos estava namorando do que quando minha cadela fez cirurgia; nunca vou saber o quanto significo pras pessoas; sou curiosa; comer e dormir são meus hobbies; não termino a maior parte das coisas que começo.

Poderia continuar para sempre listando as coisas que não gosto sobre mim mesma, mas não gosto muito de falar de mim. Até porque se gostasse, não estaria perdida em um personagem criado para agradar os outros. Um beijo para todos aqueles perdidos dentro de eu-líricos. Vamos fazer assim, eu procuro por vocês e vocês procuram por mim. Me avisem se acharem. Enquanto isso, eu uso minha máscara.

-whatshername 



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