quinta-feira, 7 de abril de 2011

"To dance: no way to make a living, masochism, pain, perfection, muscle spasm, chiropractors, short-careers, eating disorders.
To film: adventure, tedium, no family, boring locations, dark rooms, perfect faces, egos, money, Hollywood and sleaze.
To music: food of love, emotion, mathematics, isolation, rhythm, power, feeling, harmony, and heavy competition."

- Rent

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mulher não presta.

   Todas as meninas vivem reclamando de como os homens não prestam. Todos os homens traem, todos os homens são cachorros, todos os homens só pensam em uma coisa. Rum, como se nós, mulheres, fôssemos perfeitas. Aliás, ouso dizer que as mulheres são ainda piores que os homens. São confusas, enigmáticas, indecisas e instáveis. 
   Se todo homem trai, toda mulher faz doce.
   Se todo homem é cachorro, toda mulher já disse "não" querendo dizer "sim".
   Se todo homem só pensa em uma coisa, toda mulher deixaria seu namorado por um artista de tv.
   Mulher não presta.
   Ficamos tanto tempo enchendo o saco, dizendo e redizendo os defeitos dos homens que começamos a nos achar perfeitas, só por sermos mulheres. Queremos que os nossos homens sejam príncipes encantados, personagens de filmes. Parece que de tanto vermos filmes de romance, acabamos com esse conceito de homem perfeito entalhado na nossa cabeça. 
   "Era uma vez uma menina do colegial chamada Fulana. Fulana não era muito popular, não tinha o corpo perfeito e não andava com a turma mais quente do colégio. Todo dia Fulana olhava de longe o seu amor, Fulano, com toda sua perfeição, desfilar com sua namorada igualmente perfeita pela escola. Certo dia, Fulana sem querer bate de encontro com Fulano, e quando seus olhos se encontram, ele se apaixona. Fulano deixa sua namorada e faz de tudo para provar para Fulana que seu amor é verdadeiro. Ele não se importa se todas as meninas do colégio o querem, ele está disposto a esperar até o casamento por Fulana. Eles namoram o colegial inteiro, ela se forma em medicina, ele em direito, casam-se e tem lindos filhinhos loiros. Fim"
   Sabe por quê isso parece com algum filme que você já viu? Porque é. Porque funciona. É isso que está entalhado no nosso cérebro e é isso que nós procuramos a cada segundo da nossa pré e adolescência. Queremos que a nossa vida seja um filme. Não adianta negar, querida. Você e eu sabemos que é verdade.
   Engraçado como no fundo, no fundo, todas nós sabemos que não existe o príncipe encantado, mas nos agarramos àquele resto de esperança e tentamos mudar todos os meninos até que se moldem às nossas expectativas. E quando eles não mudam, é aí que começa o "safado", "idiota", "não é você, sou eu". Meninos, acreditem, quando a menina diz "não é você, sou eu", realmente é ela.. É ela a doente da história.
   Por que você acha que essa moda de vampiro faz tanto sucesso? Hello! Eles são, literalmente, perfeitos de aparência, nunca envelhecem, amam com todo o coração, são super fortes, são perigosos e ainda podem te fazer como eles. Que menina não ia querer ser eternamente jovem e bonita ao lado do amor da sua vida ( que também é eternamente jovem e bonito)? 
   Por que toda menina tem um amor platônico? Seja ele um cantor, um ator, whatever. Simples, nós escolhemos a aparência e o estilo que mais nos agrada e adicionamos uma personalidade de nossa preferência nas nossas cabecinhas lindas. Pronto, perfeito. Ele nunca vai poder te magoar, porque...bem, porque se você o criou, ele não vai te magoar, né? E ele vai ser perfeito pra sempre. 
   Se quer saber, para mim, os meninos não tem que mudar. Meninos sofrem em silêncio, não fofocam, são ótimos amigos, sabem o que querem e quando gostam de verdade de uma menina, fazem de tudo para conquistá-la. Quando eles se apaixonam, se apaixonam de verdade. Meninas julgam muito rápido, são ótimas mentirosas, perdem-se no mundo de fantasias e esquecem do real, são superficiais, conseguem gostar de três ao mesmo tempo, nunca sabem exatamente o que querem, ligam demais para o que os outros pensam, tentam atender à todas as expectativas, querem que - não só elas - mas todos à sua volta sejam perfeitos.
   Não são os meninos que tem que ser mais príncipes, nós é que temos que deixar de ser tão princesas. 

OBS: um favor a pedir para os escritores/roteiristas/diretores: Por favor, parar de criar personagens perfeitos, com rostos perfeitos e personalidades perfeitas. Agradecida.

- Whatshername

domingo, 14 de novembro de 2010

O mundo vai acabar e ela só quer dançar, dançar, dançar

Sabe do que eu sinto saudade? De tudo. Simplesmente porque tudo mudou. Quando foi que eu disse que aceitava todas essas mudanças? Quem disse que as pessoas eram livres para sair da minha vida, que já era hora da minha infância acabar e eu ter que arcar com responsabilidades que eu nem escolhi? Quando foi que o rádio parou de tocar Capital Inicial para tocar Restart? Pisquei e não me reconhecia mais no espelho. Antes eu era rodeada de crianças e até mesmo pré-adolescentes, sonhávamos em ser atrizes de filmes e cantoras famosas. Hoje em dia, por mais rodeada que eu esteja, me sinto mais sozinha que nunca. Todos aqueles que sabiam de todos os meus segredos, já nem sei por onde andam e meus segredos são só meus.
Minha mãe reclama de tantos aniversários de 15 anos que eu vou, a conta do celular é enorme, os professores chamam minha atenção por conversa no meio da aula, nossa que menina cheia de amigos, certo? Errado. Ter muitos amigos não é a mesma coisa que ter muitos amigos, me entende? Aqueles que você não tenta impressionar porque eles já te conhecem e te amam pelo o que você é. Aqueles que você não precisa dizer "não conta pra ninguém" porque você sabe que eles não vão contar. Desses amigos, todos temos poucos, não importa o quão popular você seja.
Olhe para trás, lembra de quando você tinha oito, nove, dez anos? Que saudade, ein. Eu sei que eu sinto saudade. Esta é uma das piores idades possíveis, onde você só está esperando para as coisas acontecerem, nada realmente acontece. Formar-se, apaixonar-se perdidamente, tomar conta da própria vida. Por falar nisso, acho curiosa a idéia que todos têm sobre o vestibular. Somos adestrados desde muito cedo a achar que o vestibular é o que defini se você é um bom profissional ou não, se você está dentro do mercado ou não, se você vale alguma coisa ou não. Ou você faz direito ou medicina ou você é um lixo. Sim, médico é uma profissão respeitável, mas não é a única profissão respeitável. Qualquer profissão é respeitável, depende só de você ter orgulho dela ou não. Minha mãe me dizia "Minha filha, você pode ser até limpadora de mesa, mas você vai ser uma boa limpadora de mesa." Entenderam a mensagem?
Eu sei que, para mim, o vestibular (ENEM, whatever) vai ter o mesmo significado que qualquer outra prova de escola que eu fiz. Se você quer colocar todas as suas esperanças de vida em uma única prova, que você passou um ano se matando de estudar e vai esquecer 80% das informações logo depois, esperando que se você for bem nela a sua vida vai ser perfeita, sinto lhe dizer, não é assim que funciona.
Tentem olhar para a vida com olhos de criança, tentem achar bondade nas pessoas. Lembre-se que você não é uma caixa, você tem mais de quatro lados, expresse-os.

-whatshername

PS: perdão se esse texto não fez muito sentido ou teve muita coesão. Escrevi ouvindo Natasha bem alto e cantando as letras, então não estava muito concentrada.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os Fantasmas dos Amores Passados


   Há! Sabia que um dia meus fantasmas voltariam para me assombrar. Aqueles que deveria ter matado para sempre, mas são mortos-vivos dentro de mim. Não só de mim já que não importa o quanto você queira esconder, todos temos fantasmas de amores passados dentro de nós. O meu caso só é um pouco diferente - como sempre. Os Fantasmas Dos Amores Passados são como ex-namorados que você não gosta, mas....gosta, sabe? Tipo, você não dorme pensando neles, passa a aula inteira viajando ou sofre ao vê-los com outras, mas quando eles passam na sua frente você sente aquele frio na barriga e fica toda vermelha. Você não liga, mas liga.
   A(s) vez(es) que eu me apaixonei de verdade foi(ram) por meninos que nem me conheciam. Até porque, para mim, essa era a graça. Qual o sentido em cobiçar algo que já é seu? Enfim, esses amores já não me afetam como antes, thank God for it. Mas não posso deixar de admitir minha surpresa ao ver três deles passeando com suas respectivas namoradas/ficantes todos no mesmo lugar, na mesma hora e cruzando o meu caminho. A situação era tão irônica que chegava a ser engraçada. Encontrar com o primeiro foi engraçado, encontrar com o segundo foi estranho, encontrar com o terceiro foi sarcástico. Parecia que os três tinham combinado de sair um atrás do outro só para ver a minha cara.
   Quer saber, foi bom ter visto os três naquele dia. Nunca havia pensado neles de outra forma, mas desde então percebi que eles deixaram de ser fantasias para serem fantasmas. E, com certeza, é muito melhor. 
   
  

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quando toda garota é infernal

Existem dias que te fazem querer gritar até ficar rouca. 
Esses dias também te deixam com uma vontade louca de socar alguém na cara.
Esses dias te fazem enfiar as unhas nas palmas das mãos até que doam.
Te fazem ficar emburrada. 
Responder grosso para todo mundo.
Bater a porta do quarto com força.
Esses dias malditos te fazem comer todos os chocolates da casa.
E quando os chocolates acabam, você passa para o pão com manteiga, geléia, pipoca, refrigerante.
Tudo para manter a mente ocupada.
Para não se sentir culpada. 
Tudo para não pensar em tudo que está errado. 
Que não foi feito.
Que parou no meio.
Existem dias que você não quer que ninguém te pergunte o que aconteceu.
Dias que você só quer ficar sozinha e passar por ele o mais rápido possível.
Existem dias que o espelho te odeia.
E a cama te ama tanto que não quer te largar.
Mas aí esses dias passam. 
Você se culpa por ter gritado com a melhor amiga, com a mãe, com o cachorro.
Mas elas entendem, porque elas também tem aqueles dias.
E sabe o que acontece depois?
Passando um mês...eles voltam. 
#fail

- whatshername

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Chuva das 2:00

   Ai, esta cidade. Nasci e cresci, mas não pretendo morrer aqui. Me dói o coração ver Belém deixada às baratas e moscas. Abandonada. Cidade de ninguém. Já estava tão acostumada que nem percebia o estágio da doença. É grave. Vai matar. A que antes era a Cidade Das Mangueiras, quase mangueiras não tem mais. As que sobraram, são ridiculamente podadas no meio da folhagem para dar espaço aos fios elétricos. As esquinas são cobertas de sacos de lixo que, um por um, vão enchendo a calçada. E ao passar o cão (até mesmo o homem) faminto, desfazem o lixo por cima dos bueiros. A chuva vem, os bueiros entopem, as ruas ficam alagadas, o trânsito pára. Mas não culpe a chuva, ela sempre esteve aqui. Tem até horário para chegar. Quem está faltando é a educação. O povo é mal-educado? Sim. No sentido mais literal da palavra. E como não, enquanto as escolas públicas parecem mais presídios do que escolas? Sem condições de dar o lanche para os alunos, quanto mais ensiná-los a ler e escrever. 
   A que antes teve a Belle Époque, agora falta classe. Ninguém escapa das pichações, dos guardadores de carro, dos motoristas insensatos. Cada um faz o que quer, afinal a cidade não tem dono, certo? Nós? Nós deixamos grávidas, doentes, crianças viverem de esmolas e morrerem de fome e frio debaixo de uma árvore qualquer. As construções históricas degradam-se e misturam-se de forma heterogênea com as construções novas e, sinceramente, de péssimo gosto. É impossível deixar suas crianças brincarem na frente da casa, não somente porque as calçadas estão esburacadas e desniveladas, mas também porque Belém tem o vírus da violência. Todo dia, todo santo dia. 
   E no nosso horizonte, prédios sendo construídos ou caindo aos pedaços. Se der sorte, um Bem-Te-Vi fugindo para longe. Agora vemos candidatos lutarem por ela como se fosse um animal morto que poderão devorar e deixar só a carcaça. De noite, a vista do meu quarto me deixa abismada. Pensei que só veria tal coisa em São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas lá estava, na minha frente. Um festival de luzes, sorrindo de volta para mim. Me lembrando que não é tarde demais. Quero poder chamar Belém de minha. Ter orgulho de tanta cultura. Comer meu açaí sem medo de pegar doenças, minha maniçoba, meu vatapá. Palavras lindas, fortes. Quero continuar minha vida sabendo que a cidade em que nasci não está morrendo. Quero que alguém se importe. Estou quase criando um projeto: Adote Uma Cidade.

-whatshername

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

I don't know who you are, but I'm with you.

   O eu-lírico devia ser um personagem. Uma interpretação. Perceba que quanto mais interpretamos algo, fingimos e escondemos, acabamos moldando nossa personalidade até que fique igual ao do personagem. Tem dias que pareço estar tão perdida dentro deste personagem que mal consigo achar o caminho de volta para mim mesma. E, fugindo dos meus próprios defeitos, criei novos. Mais fáceis de aceitar. 
   Eu era uma pentelha quando criança. Menina de rua, que jogava bola na lama e subia até o topo das árvores (com cicatrizes por toda a perna para provar). Na pré-adolescência era uma wannabe de revoltada. Pintei o cabelo, achei motivos para odiar o mundo e nunca estive pior psicologicamente. Agora...bem, acho que vou ter que esperar essa fase passar para saber exatamente o que eu sou agora. Nunca foi tão difícil me definir.
   
- Alguns motivos para gostar de mim: Sempre digo "Por favor", "Obrigada" e "Desculpe"; meus amigos e família são prioridades; não ligo para dinheiro (de fato, não sei lidar com dinheiro); tenho um gosto simples; gosto de boa leitura e bons filmes; sei me adaptar as situações; não gosto de machucar as pessoas; faço de tudo para atender minhas responsabilidades (menos estudar); sou respeitosa; tenho imenso amor pelas artes, dança, música, teatro; não lembro a última vez que tive más intenções. 

- Alguns motivos para não gostar de mim: sou preguiçosa; adoro reclamar e não agir; tenho várias manias; sinto ciúmes de algumas coisas/pessoas; gosto de música pop; não gosto de sair no final de semana; sou cheia de namorados platônicos e nenhum real; repito meus erros várias vezes antes de aprender; sou chorona; desafortunado é aquele que não sabe quando eu estou de TPM; julgo as pessoas por seus gostos; ajo por impulso; não sei tocar nenhum instrumento; afogo as mágoas em comida ( e as felicidades e as ansiedades e as frustações...); odeio mudanças; não vejo futuro para mim na escola; chorei mais quando soube que um dos meus amores platônicos estava namorando do que quando minha cadela fez cirurgia; nunca vou saber o quanto significo pras pessoas; sou curiosa; comer e dormir são meus hobbies; não termino a maior parte das coisas que começo.

Poderia continuar para sempre listando as coisas que não gosto sobre mim mesma, mas não gosto muito de falar de mim. Até porque se gostasse, não estaria perdida em um personagem criado para agradar os outros. Um beijo para todos aqueles perdidos dentro de eu-líricos. Vamos fazer assim, eu procuro por vocês e vocês procuram por mim. Me avisem se acharem. Enquanto isso, eu uso minha máscara.

-whatshername 



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